15/05/2004 13:44
Manifestação dos Excluídos
Esse manifesto é mais uma das incontáveis tentativas feitas por nós, jovens estudantes suburbanos, com objetivo de manifestar nossa indignação diante de tantas injustiças sociais sofridas por nós diariamente.
Ao buscarmos modificar nossa realidade, procurando um futuro melhor e promissor, nos deparamos com a exclusão social, sórdida frustradora de nossas metas, manifestando-se em diversos setores sociais, esmagando-nos impiedosamente com seu punho tirano ela nos assola. Sem cessar, rouba nossas expectativas e nos afoga, avassaladora, em suplícios infames. É inadmissível e desumano obrigar-nos a pagar um preço tão alto para manter nossa diretriz.
Vivemos numa comunidade carente, em pleno subúrbio, crescemos convivendo com a violência, hoje tão sensacionalisada pela imprensa escandalizadora cujo trabalho informativo direciona-se apenas para os possuidores de formação necessária para compreender tal discurso utilizado por ela. Isso constitui uma tarefa difícil para quem não teve oportunidade de ir à escola durante a infância por ter necessidade de trabalhar a fim de garantir a própria subsistência tão comprometida pelas exorbitantes taxas de impostos promulgados por um governo impregnado de empáfia aristocrática e maldita.
Somos impossibilitados de financiar até mesmo nossa própria formação cultural, isto é, não podemos se quer freqüentar teatros, museus e até cinemas sem tirar do dinheiro reservado do pãozinho.
Descontentes, administradores governamentais insistem na construção de grandes edifícios. São obras milionárias pagas pelos cofres públicos. Obviamente esses projetos não trariam mudanças significativas para um morador de comunidade carente (com IDH compatível a países africanos em guerra), pois ele não poderia disputar uma vaga de um emprego com quem estudou em ótimos colégios. A inviabilidade de disputa entre alunos de diferentes classes é clara, já que as instituições públicas de ensino apresentam um sistema educacional deplorável. Nós, alunos provenientes dessas escolas estamos sujeitos a toda espécie de barbárie. Uma delas relaciona-se ao direito do passe livre. No exercício de nosso direito somos tratados como negligentes marginalizados. Isso não é o bastante para os empresários. Já aplicaram-nos um golpe capitalista e repugnante ao delimitar em 5 (cinco) o número de passagens gratuitas em coletivos. Esse golpe é digno de comparação com os guetos, impostos pela política nazista de Hitler. Como se não bastasse essas infâmias, implementarão, brevemente, as catracas eletrônicas nos ônibus. Logo seremos obrigados a tirar de onde não temos o dinheiro de passagem. É nessa lastimável situação que concluímos parte de nossa formação acadêmica, além da falta de professores, iniciando no ensino fundamental e persistindo até o ensino médio, assim somos formados, em uma condição extremamente desfavorável a disputa de uma vaga em uma universidade pública. Sem condições de disputar uma vaga, nos frustramos com a maldita experiência do vestibular. Caso passarmos (para uma vaga das menos disputadas carreiras), temos enorme dificuldade em nos mantermos no curso superior. Sem nenhuma experiência, não encontramos oportunidades de emprego. E ainda há infelizes pessoas capazes de se aproveitarem de nossa triste circunstância e se valem de um argumento falso, ludibrioso, com o firme propósito de nos explorar de maneira ilícita. Não passam de uma corja de capitalista de rapina, que se alimentam de nossa carnificina sem nenhum constrangimento.
Diante de tanta exclusão, não há motivos para se espantar com os altos índices de violência. A repressão não solucionaria essa questão. Em condições lastimáveis serão poucos os jovens, interessados a trilhar caminhos tão difíceis com tantos eventos de impunidade relacionados (por exemplo) a escândalos envolvendo o desvio do dinheiro público.
O Luxo só se queixa do causa do odor fétido do Lixo quando o mau cheiro deste sobe até a sacada do apartamento daquele. Nessa prisão sem muros estamos expostos a inefável humilhação, excluídos da sociedade, sem lei para nos amparar, sem autoridade competente para defender nossos direitos, sem ter a quem recorrer ou como nos manifestar, sem nenhuma perspectiva de um futuro promissor, desprovidos do mais essencial teor da dignidade vagamos, batendo de porta em porta, num imensurável holocausto.
A continuidade dessas ignomínias antidemocratas depende também do seu manifesto.
Divulgue essa realidade ou ajude-nos de alguma maneira a garantir os nossos direitos e defender a igualdade social.
enviada por MôNiCaBrEuNoVo
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